sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cultura

Factores no processo de tornar-se humano

As hipóteses de sobrevivências dos seres humanos aumentaram com a capacidade humana de adaptação ao meio. Esta capacidade criou necessidade de cooperação e coordenação entre os seres humanos, bem como o desenvolvimento de novas capacidades para o fazer, como as capacidades de comunicação através da escrita, pintura, etc.
O ser humanos constrói com os outros um mundo inter-humano com habitações, transportes, ferramentas, um mundo construído que – relacionado com o mundo natural – oferece aos humanos suporte e protecção para as suas formas de vida. Os seres humanos organizam sociedades e criam cultura.

Noção de cultura

A cultura conjuga diversos elementos materiais e simbólicos, entre eles as crenças, as teorias, os valores, as artes, os costumes e as leis e normas, que se organizam de forma dinâmica, inter-relacionando-se e mudando. Por exemplo, as crenças, os valores e as normas materializam-se nas produções culturais.
Os seres humanos são produtos e produtores da cultura. A influência entre os processos psicológicos e a cultura é mútua, dinâmica e permanente.

As “crianças selvagens”

Este termo é utilizado para referir as crianças que cresceram privadas de todo o contacto humano, sobrevivendo em isolamento ou na companhia de animais até terem sido encontradas por outros seres humanos.
No momento em que são encontradas possuem uma linguagem sobretudo mímica, em alguns casos imitativa dos sons e gestos dos animais com que conviveram. A sua linguagem verbal é quase sempre nula ou muito reduzida. O comportamento não é orientado para outros seres humanos, não seguindo os mesmos padrões, e aproximando-se dos padrões dos animais com que interagiam.
As crianças selvagens manifestam dificuldades em exprimir, controlar e reconhecer emoções.
As capacidades e características destas crianças mostram a nossa dependência do contacto físico e sociocultural para nos tornarmos humanos.

Culturas

A cultura varia no tempo e no espaço, pelo que existem múltiplas culturas. As diferentes culturas reflectem as maneiras como as comunidades integraram os acontecimentos do passado, as necessidades de sobrevivência e as exigências do meio onde vivem. Todos estes factores fazem com que as diversas culturas adquiram especificidades próprias, levando a uma diversidade cultural.

Padrões Culturais

Padrão Cultural – conjunto de comportamentos, práticas, crenças e valores comuns aos membros de uma determinada cultura.
Os padrões culturais ajudam no enquadramento da construção de significados em muitos domínios da vida social. Não temos consciência da sua existência. A cultura exerce uma forte influência na forma como pensamos, sentimos e consideramos aceitável ou inaceitável.
Por isso é necessário ter os padrões culturais em conta quando observamos os sentidos que as pessoas atribuem a comportamentos, actividades e objectos.
Os padrões culturais mudam permanentemente.

Conceito de aculturação

Aculturação – conjunto dos fenómenos resultantes do contacto contínuo entre grupos de indivíduos pertencentes a diferentes culturas, assim como às mudanças nos padrões culturais de ambos os grupos que decorrem desse contacto.
Nos dias de hoje pode-se falar numa sociedade global.

Socialização

Socialização – processo através do qual cada um de nós aprende e interioriza os padrões de comportamento, as normas, as práticas e os valores da comunidade em que se insere.
Existem dois tipos de socialização:
Socialização Primária – responsável pelas aprendizagens mais básicas da vida em comum, isto é de comportamentos considerados adequados por um grupo social. Ocorre com muita intensidade durante os períodos de crescimento por meio de relações com a família, a escola, em grupos chamados grupos primários.
Socialização Secundária – ocorre sempre que a pessoa tem de se adaptar e integrar em situações sociais específicas. Este processo também ocorre no seio de grupos secundários que criam oportunidades e desafios que levam os indivíduos a adaptarem-se a realidades novas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Esquecimento

Esquecimento é a incapacidade de recordar, recuperar dados, informações, experiências que foram memorizadas. O esquecimento é essencial, é a própria condição da memória: é porque esquecemos que continuamos a reter informações adquiridas e experiências vividas. Seria impossível conservar todos os materiais que armazenamos, tendo o esquecimento a função de seleccionar para podermos adquirir novos conteúdos.
Dupla função:

·        Selectiva: nem toda a informação é guardada, a memória afasta a informação que não é útil nem necessária.
·        Adaptativa: a informação é transformada e é por isso que a memória não reproduz os dados tal como foram armazenados.
ESQUECIMENTO REGRESSIVO – ocorre quando surgem dificuldades em reter novos materiais e em recordar conhecimentos, factos, nomes aprendidos recentemente (não se consegue decorar nem lembrar); deve-se à degenerescência dos tecidos cerebrais.

ESQUECIMENTO MOTIVADO – nós esquecemos o que, inconscientemente, nos convém; os conteúdos traumatizantes, penosos, as recordações angustiantes são esquecidos para evitar a angústia e a ansiedade, assegurando, assim, o equilíbrio psicológico – recalcamento. Através deste processo, os conteúdos do inconsciente seriam impedidos de aceder à consciência. Constitui um mecanismo de defesa através do qual pensamentos, sentimentos e recordações dolorosas são afastados da consciência com o objectivo de reduzir a tensão. Os conteúdos recalcados, “esquecidos”, não podem ser recuperados através de um acto de vontade.

ESQUECIMENTO POR INTERFERÊNCIA DE APRENDIZAGENS – o esquecimento pode ser explicado também através dos processos de interferência: as novas memórias interferem com a recuperação das memórias mais antigas. Os materiais que não conseguimos recordar sofre modificações, geralmente por efeito de transferências de aprendizagens e experiências posteriores.

Processos de Memória

Estamos programados para filtrar os estímulos e para recusar os dados que são irrelevantes. Cabe ao cérebro seleccionar o que é relevante para assegurar a própria sobrevivência do indivíduo e da espécie. Se registássemos e recordássemos todos os estímulos, seríamos incapazes de responder adequadamente ao que efectivamente é importante. O que o cérebro determina como importante ou não ocorre no processo perceptivo e no processamento de informação.
Processos inerentes à memorização:
1.       Codificar a informação sensorial;
2.       Armazenar a informação;
3.       Recuperar e utilizar a informação no processo de interpretação e acção sobre o meio;
4.       Esquecimento.
Codificação – prepara as informações sensoriais para serem armazenadas no cérebro; consiste na tradução de dados num código (pode ser acústico, visual ou semântico).
Armazenamento – cada um dos elementos que constituem as memórias está registado em várias áreas cerebrais, registado em diferentes códigos, contribuindo cada um deles para formar as recordações que se evocam. Quando uma experiência é codificada e armazenada, ocorrem modificações no cérebro de que resultam traços mnésicos designados por engramas. Cada informação, cada engrama, produz modificações nas redes neuronais que, mantendo-se, permitem que se recorde o que se memorizou, sempre que necessário. Para que uma informação se mantenha de modo permanente e estável é necessário tempo (o processo de fixação é complexo).
Recuperação – recupera-se a informação: lembramo-nos, recordamo-nos, evocamos uma informação. Esta etapa integra duas fases:
  • Reconhecimento – quando se evoca uma informação, tem de se saber primeiro se ela consta na nossa memória (se a “aprendemos”); 
  • Evocação – depois tem de se procurar o seu conteúdo.
A recuperação depende de muitos factores. A facilidade de recordação está relacionada com o grau de correspondência entre o contexto de codificação e o contexto de evocação – especificidade de codificação. O esquecimento é menor sempre que a aprendizagem e a evocação têm lugar nas mesmas condições físicas e psicológicas.
O tempo que uma recordação perdura é muito variável. Não retemos todas as informações que recebemos durante o mesmo tempo.



Classificação da memória quanto à DURAÇÃO: